
Quase 37% (36,6%) dos brasileiros com dívidas não têm condições de pagar suas dívidas, conforme dados do IEF (Índice de Expectativa das Famílias) divulgados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Os dados mostraram que apenas 13,2% dos entrevistados que possuem dívidas acreditam que terão condições de honrar os compromissos, enquanto 47,8% dos endividados responderam, em dezembro, que conseguiriam quitar parcialmente as contas.
A dívida média das famílias brasileiras em dezembro foi de R$ 4.679,13, a quinta maior média mensal em 2011. O patamar mais alto foi atingido em fevereiro do ano passado (R$ 5.605,25).
Das famílias consultadas em dezembro em todo o país, 56,1% afirmaram não ter dívidas. O valor é superior ao registrado em novembro (55,6%).
A situação é melhor na região Centro-Oeste, onde nenhuma família afirmou estar muito endividada e 90,9% das famílias declararam não ter dívida alguma. Apenas 5,3% das famílias na região disseram estar "mais ou menos endividadas".
A situação é bem diferente na região Nordeste: 14,6% das famílias disseram estar muito endividadas, 24,3% afirmaram estar "mais ou menos endividadas" e 23,8% disseram ter poucas dívidas.
O Centro-Oeste também é onde está o maior índice de expectativa quanto à capacidade de pagamento de contas em atraso.
Por lá, 37,5% das famílias endividados acreditam que vão conseguir pagar todas as suas contas em atraso. No Sudeste a taxa é a segunda maior do Brasil, de 23%.
| Expectativa sobre a capacidade de pagamento de contas atrasadas (%) | |||
|---|---|---|---|
| Região | Vai pagar totalmente | Vai pagar em partes | Não terá condições de pagar |
| Centro-Oeste | 37,5 | 25 | 37,5 |
| Nordeste | 8,4 | 54,4 | 35,2 |
| Norte | 2,2 | 37,0 | 60,9 |
| Sudeste | 23 | 33,3 | 39,3 |
| Sul | 16,4 | 63,9 | 18 |
| Fonte: Ipea - IEF | |||
O estudo também mostrou que 6,8% das famílias entrevistadas planejavam tomar empréstimos ou financiamento para adquirir algum bem nos próximos três meses. Em relação às regiões do Brasil, no Nordeste é onde há mais pessoas interessadas em empréstimos para aquisição de bens (11,1%).
No Centro-Oeste a taxa também é alta, de 6,8%, a mesma encontrada no Sudeste. Na sequência, vêm Sul e Norte, com taxas de 5,2% e 2,7%, nesta ordem.
Segundo a pesquisa, 78,2% das famílias disseram estar melhor financeiramente em dezembro de 2011 do que um ano antes. O otimismo é maior na região Centro-Oeste (88,1%), seguido pelo Norte (80,7%), Sudeste (80,4%), Nordeste (74,8%) e Sul (72,3%).
O Índice de Expectativa das Famílias (IEF) é resultado de uma pesquisa mensal do Ipea, feita em 3.810 domicílios, em mais de 200 municípios brasileiros. A pesquisa realizada em dezembro de 2010 foi a 17ª edição.