
Pagar as contas sem entrar em filas, não precisar sacar dinheiro para o táxi e dispensar o uso dos cartões de débito e crédito em qualquer transação comercial já é uma realidade que começa a ganhar terreno no Brasil. Com a chegada do pagamento móvel, o mobile-payment, é possível fazer tudo isso apenas aproximando o aparelho celular de um outro celular ou de um equipamento de leitura. Basta autorizar o pagamento digitando uma senha no próprio celular. Embora ainda faltem algumas etapas para concretizar essa nova modalidade em todo o país, a transição dos meios de pagamento via cartão para o celular já começou. Se a partir de agora o varejo nacional vai experimentar as primeiras mudanças resultantes do compartilhamento das máquinas de cartão de crédito e débito, a mudança que vem por aí promete ser de maior impacto ainda. O pagamento por meio móvel, ou seja, através do celular, vem acrescentar em definitivo uma série de vantagens para lojistas e consumidores, garante Arthur Sanders, consultor da Bry Certificação Digital, empresa que desenvolve sistemas de captura de transações financeiras.
Com o chamado móbile-payment, o lojista não terá mais a obrigatoriedade de alugar máquinas de pagamento por cartão, pois o celular fará isso. A compra será debitada de celular para celular, através de um software compatível com qualquer modelo. “A parte de trás da transação não muda absolutamente nada, o débito vai continuar caindo na conta do consumidor, apenas o meio de captura e transmissão de dados será alterado”, define Sanders. Segundo ele, o ambiente de transação por cartão de crédito está em plena transformação, e embora não se possa dizer que está com os dias contados, o modelo que existiu até agora definitivamente não será mais o mesmo. Com o pagamento móvel, os custos dessas transações podem diminuir ainda mais, além de ser um método de captura financeira que não vai acarretar o aluguel de máquinas. Com a queda dos custos operacionais, inúmeros lojistas que hoje não aceitam cartões devido ao preço proibitivo do aluguel das máquinas e o percentual cobrado por transações, irão entrar nesse mercado, com a vantagem adicional de que não precisarão estar presos a um ponto de negócio. “A praticidade oferece vantagens para os dois lados. Para o cliente, basta estar com seu celular na mão para efetuar compras, requisitar serviços, pagar contas e realizar transações bancárias sem ter de ir ao banco ou carregar cartões”, sintetiza Sanders. Com a inserção dos diversos cartões bancários ou de benefícios dentro do celular, será absolutamente usual para o consumidor sair de casa sem a carteira, pois tudo o que precisar estará disponibilizado em formato digital dentro do aparelho, que poderá efetuar transações com toda rede conveniada e de qualquer lugar. Será possível, por exemplo, transferir dinheiro eletronicamente, em tempo real, para o celular de um filho, para que ele faça um lanche na escola. O crédito pode ser acessado no modelo pré pago, quando o dinheiro é creditado no celular, ou o pós pago, que dá acesso a conta bancária direto no banco.
Para os lojistas, o sistema proporciona um baixo custo operacional e versatilidade, pois a não restrição a um ambiente fixo possibilitará a entrada de novos prestadores de serviços que hoje transitam na informalidade. Assim, será possível comprar um cachorro-quente na rua, por exemplo, e pagar com o celular. O modelo só não foi completamente efetivado porque ainda há relutância do sistema financeiro em realizar transações por autenticação via celular, mas algumas boas experiências já estão abrindo as portas para esse futuro. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a ISO possuem regulamentações para este tipo de transação, que incluem normas específicas para o setor de transmissão e captura de dados financeiros, como a implementação de criptografia, na manutenção e comunicação de documentos. Também está sendo elaborado um sistema de sigilo de dados e garantias quanto ao roubo ou perda do aparelho celular. Arthur Sanders trabalha no aprimoramento de um sistema de captura de transações financeiras que pode ser embarcado no celular, chamado Mobile Card. O sistema segue os processos da certificação digital, de identificação do usuário e de segurança nas transações. O sistema evita a digitação e transferência de senha entre o celular e o servidor, que é o intermediador da transação financeira. A segurança da transação também está assegurada, já que esse meio é mais seguro do que o envio de dados online como acontece com os cartões. Em caso de roubo ou de coação, o sistema desenvolvido pela Bry prevê a adoção de uma segunda senha, que o usuário pode usar para acessar a conta. Essa senha funciona normalmente, mas informa ao sistema bancário que está ocorrendo um assalto, ou a retirada está sendo feita sob coerção.
Para o sistema estar efetivamente implantado no país ainda precisam ser acertados alguns procedimentos fundamentais,como a adoção de um modelo universal de interface. O modelo ideal de software para o pagamento móvel deve ser compatível com os tipos de transações que podem ser efetuadas, além de ser adaptável a todos os modelos de aparelhos celulares. Outro ponto que deve ser equacionado para que a implementação do sistema no país decole será a adoção de um só sistema operacional, que não exija a instalação de vários programas diferentes, cada qual destinado a uma rede de pagamentos específica, que acabaria inundando a memória dos aparelhos. A nova forma de pagamento está sendo testada por empresas de telefonia e do sistema financeiro. Uma associação da Claro, VisaNet, Nokia Bradesco e Banco do Brasil está sendo implementada desde o final do ano passado, através da tecnologia NFC ( Near Field Comunication), ou Tecnologia de Curto Alcance, que é a mais usada no mundo em pagamentos integrados por celular. As novas tecnologias móveis já estão impactando fortemente varejistas e consumidores da Europa, Estados Unidos e Ásia. Um levantamento do instituto norte-americano Junior Research estima que os pagamentos por celular em todo o planeta somem Us$ 630 bilhões em transações anuais em 2014. A aliança de varejistas com bancos, desenvolvedores de softwares e operadoras de telefonia, junto ao crescimento do uso de smartphones deve ser responsável por um crescimento de até 30% ao ano dessa modalidade de pagamento nos principais mercados mundiais.
Mais além das transações financeiras, os celulares também estão se consolidando como verdadeiras ferramentas de compras e de automação para a gestão do varejo. Um belo exemplo dessa verdadeira guinada no rumo da administração de pequenas e médias empresas varejistas com o uso dos celulares é a plataforma de serviços mobiFAZ. Lançada pela Fazion, empresa especializada no desenvolvimento de sistemas inteligentes para redes de dispositivos móveis, o aplicativo usa o conceito de software como serviço (software as a service). Com o sistema, o pequeno e médio lojista pode usar o celular para realizar pedidos, fazer coleta de dados, realizar pesquisas e vistorias e ainda emitir ordens de serviço. “Conseguimos integrar três ferramentas numa só e ainda gerar um modelo novo de investimento para essa solução”, diz o diretor da Fazion Sistemas, Mauro Faccioni Filho. A solução reúne dentro do celular de cada funcionário os sistemas que possibilitam a coleta de informações em campo, encaminham ordens de serviço e automatizam a força de vendas. Para os consumidores, o aparelho continua o mesmo, mas as funções ampliam-se em funções de compra e acompanhamento de pedidos, entre outras facilidades.
Para o outro lado do balcão, a Fazion desenvolveu um aplicativo para celular que está facilitando a vida de inúmeros consumidores de uma grande rede de supermercados de Santa Catarina. Através do Angeloni Móvel, os consumidores da rede Angeloni podem consultar através do celular o saldo de pontos do cartão de fidelidade, o extrato do cartão de crédito, datas de pagamento, acompanhamento de pedidos e realizar compras online. De acordo com Mauro Faccioni Filho, a experiência ainda é embrionária, mas já demonstra o enorme potencial que o sistema de pagamentos por celular e toda uma série de aplicativos em celular poderão adquirir a partir de agora no varejo brasileiro.
O que é o pagamento móvel?
O mobile-payment, ou pagamento móvel, é um sistema de pagamento que pode ser realizado a partir de dispositivos móveis, como os telefones celulares, smartphones e PDAs (computadores de dimensão reduzida).
Que serviços podem ser pagos por este meio?
Todo o tipo de transação comercial e de serviços pode aceitar o pagamento móvel. Os serviços mais comuns que utilizam o serviço ainda são os de táxi, recarga de celular, compra de passagens e redes de fast-food e farmácias.
Pagar por celular é seguro?
Os pagamentos por celular são mais seguros que os pagamentos por cartão de crédito e pela Internet. A taxa de fraude em comércio eletrônico em todo o mundo é de 0,003%, mas no Brasil é ainda menor. Os meios de pagamento seguros são aqueles que utilizam códigos criptografados.
Como funciona o pagamento por proximidade?
O pagamento por proximidade, ou contactless payment, se utiliza de celular com chip e antena NFC (Near Field Communication), que armazena as informaçõe da conta do usuário e estabelece comunicação com outro celular apto para receber esses dados ou um terminal PDV (Ponto de Venda). Não é necessário a presença de um vendedor, basta a aproximação do aparelho celular a poucos centímetros do leitor e a compra é efetuada.