Domingo, 20 de Maio de 2012
Notícia
Quinta-Feira, 28 de Julho de 2011, 14h26
Juros: representantes do varejo temem efeitos da alta
Ednei Ribeiro
Assessoria CDL e FCDL
Tamanho do texto:
 

O aumento de 0,25% promovido pelo Comitê de Política Monetária na taxa base de juros (Selic), alcançando 12,50%, coloca mais algumas nuvens carregadas na perspectiva de bom tempo nos próximos meses de 2011 e em 2012, no ponto de vista do segmento lojista. Para o final de 2012 a perspectiva é da Selic em 12,75% ao ano, e não mais 12,63%, como na projeção anterior.

 

O vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Cuiabá), Célio Fernandes, ressalta que  ao conter o consumo, as medidas influenciam negativamente em todo o ciclo econômico. De outro lado, o bom desempenho do Comércio propiciaria crescimento das empresas e geraria mais emprego e renda. “Subir os juros, além de reduzir o acesso ao crédito, hoje importante modalidade de pagamento, ainda impacta negativamente sobre a confiança de se fazer investimentos”, completa ele, lembrando que comercialização reduzida, igualmente pode significar retração na Indústria. “Uma boa notícia seria, realmente, o melhor planejamento do gasto público. O governo precisa controlar as contas e redirecionar investimentos”.

 

Para o economista Edisantos Amorim, de outro lado,  este aumento da taxa de juros é importante para que o País estabilize a política cambial, visando não deixar o dólar baixar a patamares que prejudiquem a economia. "É preciso conter a entrada de produtos importados, pois se eles tiverem os preços mais baixos os produtos nacionais vão perder competitividade. Temos que valorizar o mercado interno”.

 

Ele acredita ainda que “a inflação e o juros em 2012 vão ser melhores que este ano”. Ou seja, para o economista, o cenário real tende a se sair melhor do que as projeções”. Edisantos confia que em agosto a Selic volta a recuar.

 

Operações de crédito do sistema financeiro – Em nota, neste dia 27, o Banco Central mostrou que em junho as operações de crédito do sistema financeiro cresceram em ritmo semelhante ao observado em maio, com equilíbrio entre as operações com recursos livres e com recursos direcionados. Os empréstimos a pessoas físicas seguem registrando expansão, impulsionada pelo crédito habitacional, porém condicionada pelo arrefecimento das concessões com recursos livres. As concessões destinadas ao Comércio, impulsionadas pelas contratações dos segmentos relacionados a máquinas e equipamentos, alimentos e lojas de departamentos, somaram R$187,5 bilhões, após expansão de 2% no mês.

 

As carteiras de pessoas jurídicas apresentaram aceleração no segmento de crédito livre, a despeito da retração nos financiamentos lastreados em recursos externos, enquanto que o crédito direcionado refletiu o desempenho moderado dos financiamentos do BNDES. Assinale-se, tanto no segmento das famílias quanto no das empresas, as reduções das taxas de juros e dos spreads bancários e a relativa estabilidade dos prazos médios das carteiras e das taxas de inadimplência.

 

Nesse contexto, o volume total dos empréstimos bancários, computados recursos livres e direcionados, alcançou R$1.834 bilhões em junho, ao crescer 1,6% no mês, 7,5% no semestre e 20% em doze meses. Em decorrência, a relação crédito/PIB elevou-se para 47,2%, ante 46,9% em maio último e 44,6% em junho do ano anterior. A representatividade dos bancos públicos cresceu 0,2 p.p. no mês, equivalendo a 41,9% do total de crédito do sistema financeiro, enquanto as parcelas referentes às instituições privadas nacionais e estrangeiras recuaram 0,1 p.p., para 40,9% e 17,2%, respectivamente.

 

Os financiamentos com recursos livres, que corresponderam a 30,8% do PIB, ante 29,6% em junho de 2010, totalizaram R$1.198 bilhões, com aumentos de 1,6% no mês, 7,3% no ano e 17,9% em relação a junho de 2010. O saldo das operações contratadas com pessoas jurídicas registrou expansão de 1,8%,atingindo R$596,4 bilhões, resultante da elevação de 2,2% nas operações contratadas com recursos domésticos, com participação relevante das modalidades capital de giro e conta garantida, e da retração de 2,2% nos financiamentos lastreados em moeda estrangeira. Os empréstimos destinados a pessoas físicas somaram R$601,4 bilhões, com incrementos de 1,3% no mês, 7,4% no semestre e 18,9% em doze meses.

 

O crédito com recursos direcionados representou 16,4% do PIB, comparativamente a 15% em junho do ano anterior, correspondendo a R$636,2 bilhões, após crescimentos de 1,5% no mês, 7,9% no ano e 24,1% em doze meses. Os financiamentos do BNDES, com participação relativa de 58,5% no segmento, alcançaram R$371,9 bilhões, revelando expansões respectivas de 1%, 4% e 18,3% nas mesmas bases de comparação. Os créditos à habitação com recursos direcionados somaram R$157,1 bilhões, com evoluções de 3,5%, 19,5% e 48% nos mesmos períodos.

 

Distribuição setorial do crédito - O crédito ao setor privado, incluindo-se recursos livres e direcionados, atingiu R$1.766 bilhões em junho, representando 96,3% da carteira total do sistema financeiro. Se para o Comércio o volume foi de R$187,5 bilhões, o destinado à indústria alcançou R$ 384,4 bilhões, ao assinalar crescimento mensal de 1,5%, evidenciando maior demanda dos setores de siderurgia, construção, agronegócios e automóveis. O crédito para os segmentos de Serviços cresceram 1,6% no mês, com saldo de R$308,6 bilhões, destacando-se os ramos automotivo e de infraestrutura para transportes.

 

Os financiamentos habitacionais com recursos livres e direcionados mantiveram ritmo acelerado de expansão, totalizando R$167,5 bilhões em junho e registrando incrementos de 3,8% no mês, 20,7% no semestre e 50% no período de doze meses. Em linha com esse dinamismo, o saldo do crédito habitacional passou a representar 4,3% do PIB, ante 3,3% em junho de 2010. A carteira de crédito rural apresentou avanço mensal de 0,5%, ao atingir R$130,1 bilhões, mas recuou, relativamente ao PIB, de 3,4% para 3,3%, nos últimos doze meses.

©2012 CDL Alta Floresta / MT - Fone: (66) 3521-2591
Este site faz parte do projeto CDL Connect que integra os sites de CDL's de Mato Grosso.