
“A inadimplência é preocupante. O percentual de inclusão de inadimplentes no Serviço de Proteção ao Crédito SPC/CDL Cuiabá em junho voltou a subir, pontuando 2,93% a mais do que no quinto mês de 2010. Em âmbito nacional, segundo dados da CNDL, no primeiro semestre deste ano, a inadimplência cresceu 4,25% em relação ao mesmo período do ano passado”, pontua o presidente da CDL Cuiabá, Paulo Gasparoto.
Não se pode dizer que não há o que comemorar, pelo contrário. Apesar de haver inadimplência esta é proporcionalmente bem menor do que o crescimento do consumo. “Mês a mês o movimento do varejo, de acordo com SPC/CDL Cuiabá, mostrou fevereiro 3,84% maior que janeiro; março 31,56% superior a fevereiro; abril 1,76% maior que março; maio 11,63% frente a abril; e junho 0,94%, comparado a maio”, coloca Gasparoto.
Mas, os altos juros embutidos em parcelamentos de longo prazo e a empolgação do brasileiro com a crescente renda, segundo o presidente da CDL, é uma relação a ser bem trabalhada. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que 102 milhões de brasileiros comporão a nova Classe C até o final de 2011. Em 2003, o número era 66 milhões, ou seja, 8 anos depois, eles serão quase o dobro. De outro lado, as faixas socioeconômicas D e E, neste mesmo período, cairão, respectivamente, de 96 milhões de pessoas para 65 milhões. Esta migração impacta uma situação em que a renda familiar média cresce de R$0,00 a R$1.126,00 (classes D e E) para patamares entre R$1.126,00 a R$ 4.854,00 (Classe C).
“Esta população tem dinheiro para comprar e quer comprar. Se os bens duráveis estão um pouco mais caros por causa dos juros, ela busca produtos supérfluos, aumenta o carrinho de compras no supermercado, investe em muitos produtos de beleza, perfumaria e presentes, que também estão com altos juros, mas, pelo menor preço que os bens duráveis, acabam não sofrendo tanto a redução de consumo”, declara Gasparoto. “Desta forma, é preciso que haja medidas mais eficazes para que não haja endividamento das famílias, ocasionando não apenas problemas de inadimplência para o Comércio, mas comprometimento de parte vital da renda das pessoas, a um ponto em que não tenham para necessidades básicas”.
Para o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, “o Banco Central está mais tranquilo do que deveria estar” no que se refere aos
Para o presidente da CNDL, o momento de vendas está ótimo para o Varejo. Mas as dívidas que este crescimento envolve são “da pior qualidade”. Segundo ele, o ganho dos cidadãos brasileiros está “cada vez mais contraído para pagar juros de dívidas anteriores e cada vez sendo menos usado para ampliar o consumo e a produção”.
Lojistas – O aviso da CDL aos empresários é para que, portanto, "busquem por uma concessão de crédito mais cuidadosa, principalmente quando falamos das datas comemorativas, que a compra está ligada ao impulso emocional, sendo as vendas bem maiores do que em um período comum. O objetivo do fornecimento deste crediário de forma mais estudada é não aumentarmos o risco da venda e ainda ficar com um alto índice de inadimplência, por causa dos altos juros envolvidos no crédito no atual momento”, conclui Gasparoto.