O Brasil voltou a gerenciar o sistema que seleciona e autoriza fazendas de todo o país a fornecer bovinos para abate e venda da carne in natura para a União Europeia (UE). Na última sexta-feira (03), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), divulgou a primeira lista com 1.948 fazendas de todo o Brasil habilitadas a exportar para o bloco. Entre elas, estão seis fazendas de Alta Floresta.
Somente as propriedades que cumprem as exigências da Instrução Normativa nº 17, que regulamenta o sistema brasileiro de rastreamento (Sisbov), podem ingressar no cadastro.
“A nossa fazenda já exporta carne há quatro anos. Foi a primeira unidade da região norte a receber a aprovação para exportar carne para União Europeia na época. Temos condições de ter mais fazendas nesta lista. Mais o processo é muito burocrático. Entretanto, em termos de quantidade de carne, exportamos muito mais do que alguns municípios que possuem mais fazendas no cadastro. Isso é significante para a economia de Alta Floresta” disse Antonio Francisco de Passos, proprietário da Fazenda Bacaeri, em Alta Floresta.
As fazendas de Alta Floresta autorizadas a exportar para União Europeia atualmente são: Fazenda Bacaeri (Bacaeri Florestal Ltda), Fazenda da Ilha (Alvaro Pereira de Moraes Filho), Fazenda São Luiz (Carlos Batista Frias), Agropecuária Mariana II (Celso Gomes dos Santos), Fazenda São João (Mario Roberto Candia de Figueiredo), Fazenda Percília I (José Laércio Rabecini).
“Temos que parabenizar esses pecuaristas que conseguiram a licença para exportar. Isso demonstra que temos carne de qualidade no município, tanto nas fazendas que exportam, quanto nas que comercializam aqui na região. A partir de agora, outras fazendas terão mais facilidade para exportar carne, pois o sistema vai manter a qualidade e diminuir a burocracia”, destacou o gerente comercial da Câmara de Dirigentes Lojistas de Alta Floresta, Eliseu Pelisson.
Mato Grosso possui 432 fazendas credenciadas. Desde 2007 o gerenciamento da lista (lista trace) e divulgação era feito pelas autoridades europeias. Agora, as autoridades sanitárias brasileiras ficarão responsáveis pela atualização e divulgação da lista a cada 15 dias no site do ministério. Os relatórios de auditoria nas fazendas não precisarão mais ser transmitidos para a Comissão Europeia.
Segundo o diretor de Programas do Mapa, Ênio Marques, a medida demonstra o reconhecimento dos avanços no sistema brasileiro de rastreabilidade e a retomada da confiança da UE em relação ao cumprimento das exigências de saúde animal por parte do Brasil. A intenção do Brasil é reduzir a burocracia no processo.
A solicitação de retirada da exigência de que a lista de fazendas habilitadas fosse publicada no diário oficial europeu (Diretiva 61) era uma reivindicação permanente do Brasil nos últimos anos. O impasse foi tema de inúmeras reuniões com a Direção-Geral de Saúde e Consumidores da Comissão Européia (DGSanco, sigla em inglês), em Bruxelas.