Assessoria CDL – De onde veio e quando chegou em Alta Floresta?
Walter Luiz Pereira – Sou paranaense, minha família migrou para São Paulo onde ficamos um curto período de tempo e em 17 de fevereiro de 1984, chegamos em Alta Floresta.
CDL – Como ficou sabendo de Alta Floresta e o que o atraiu para aqui permanecer?
W.L.P. – Na realidade, a decisão de vir pra Alta Floresta não foi minha. Eu era um adolescente de 15 anos e, naquela época, a gente ia pra onde a família fosse. Meu pai, que sempre gostou de trabalhar no setor agrícola, ficou sabendo desta região através de um parente nosso que já estava aqui e dizia que era um lugar bastante promissor. Então ele veio, olhou, gostou, adquiriu bens aqui e trouxe a família, ou seja, ele, minha mãe e nós, três filhos. Na época, cerca de 27 anos atrás, funcionava desse jeito: pra onde os pais iam, os filhos iam juntos. Foi assim que se deu a minha vinda pra cá.
CDL – Qual a origem econômica de seus pais, de sua família?
W.L.P. – Sou filho de trabalhadores. Meu pai era eletricista de alta e baixa tensão e minha mãe sempre atuou no comércio. No Paraná viveram uma fase no comércio e outra na agricultura, o mesmo acontecendo quando a família esteve no estado de São Paulo. Em Alta Floresta não foi diferente. As atividades econômicas de meus pais sempre tiveram estes dois lados: comércio e agricultura. Em 1984, ano de nossa chegada aqui, minha mãe abiu uma pequena loja de confecções na rua B, e meu pai foi cuidar da propriedade rural que havia comprado. Depois passaram um tempo somente trabalhando na agricultura. Mas no final de 1992, após o falecimento de meu pai, minha mãe voltou para o comércio de confecções, ocasião em que ela inseriu minha esposa neste ramo de negócios, no qual também fui inserido, posteriormente, em 1993.
CDL – Retornando ao ano da chegada da família Pereira (1984), como era o Município?
W.L.P. – Como já disse anteriormente, quando vim pra cá com minha família, eu tinha apenas 15 anos, prestes a fazer 16, mas tive uma boa impressão de Alta Floresta. De Cuiabá pra cá, na época, a estrada era totalmente de terra (800 km) e, nesse trecho, principalmente porque era período chuvoso, eu não vi nada animador pelo caminho até chegar aqui. Paramos em Sinop à noite e, como a terraplanagem de lá é bastante plana, só se via barro por todo lado. Foi muito bom quando chegamos aqui! Muitas obras estavam sendo feitas, principalmente casas – a maioria de madeira – e vimos que as coisas estavam acontecendo de modo a acreditarmos que era um lugar de futuro.
CDL – Breve relato sobre seu percurso profissional em Alta Floresta.
W.L.P. – Meu primeiro emprego foi na Caiabi, embora tenha ficado por lá por pouco tempo. Como o Bradesco tinha iniciado suas atividades em Alta Floresta (1984), meu chefe da Caiabi me incentivou para que fizesse um teste nesta instituição financeira. Passei no teste e me tornei o primeiro contínuo da agência do Bradesco em Alta Floresta, lugar que também não fiquei por muito tempo. Depois trabalhei na mineração Porto Estrela, tive um período no comércio, na sequência fui para Nova Monte Verde onde temos um pedaço de terra; retornei para Alta Floresta e trabalhei em compra de ouro. Em seguida, fui para Apiacás e nesse vai e vem de atividades passaram-se cerca de 4 (quatro) anos. No final de 1987 me casei, em Apiacás, onde, naquela ocasião, estava trabalhando com compra de ouro.
CDL – Sua esposa, Rosalina, já morava em Alta Floresta?
W.L.P. – Ela veio pra Alta Floresta em 1977, vindo do Mato Grosso do Sul com sua família, a qual é de origem paulista, mas nasceu em Bonito/MS. Diferente da minha família, a dela migrou pra cá incentivada pela família Da Riva. Seus familiares vieram com o propósito de plantarem café, cacau, dentre outras atividades da colonizadora. O primeiro local que eles moraram foi na Fazenda Caiabi. Pelo ano que chegaram, logo no início da implantação da cidade, ela e seus familiares têm uma rica história de pioneirismo em nosso município
CDL – Quando surgiu a Karen Modas?
W.L.P. – Karen Modas foi fruto de muito trabalho da Rosalina, minha esposa, e de mim, imbuídos de muita esperança no futuro de Alta Floresta. Como disse anteriormente, incorporei-me ao comércio de confecções em 1993. Iniciamos como sacoleiros e, em pouco tempo, resolvemos abrir nossa primeira loja, que ficava no prédio do Sr. José Hermelino de Almeida, em frente aos Correios, na av. Ariosto da Riva. Essa primeira loja (final de 1993) tinha um espaço de 3,40m. de frente por 6,00m de fundo. Era muito pequena, mas, em contrapartida, a nossa determinação, nossa garra e nossa vontade de crescermos eram muito grandes.
CDL – E depois?
W.L.P. – Mudamos para um espaço maior no mesmo prédio. Tempos depois, nova mudança para instalações maiores, desta vez localizadas na av. Ludovico da Riva Neto, no prédio do senhor Nilson Boschiroli, onde, naquela época, funcionava a Móveis Gazin e atualmente é o conjunto de lojas onde está situada a Drogaria América. Voltamos para a av. Ariosto da Riva no prédio onde funciona o BASA – Banco da Amazônia S.A., onde hoje está instalada a Starnet. Todas essas mudanças ocorreram devido ao crescimento da loja e, consequentemente, a necessidade de espaços maiores. E então chegou o momento de construirmos e, finalmente, termos o nosso prédio próprio, que passou a ser a nossa matriz, localizada na av. Ariosto da Riva n° 2341. Isso se deu a cerca de 10 anos atrás (1999/2000). O próximo passo da Karen Modas foi o início dos investimentos no bairro Cidade Alta, em abril de 2004, com a inauguração de nossa filial no mencionado bairro.
CDL – Um amplo prédio está sendo construído na av. Amazonas pela Karen Modas. Já tem previsão de inauguração?
W.L.P. – Atualmente nossa filial está instalada na av. Mato Grosso, próximo ao chamado Redondo (rotatória), e as novas instalações estão sendo construídas também próximas ao Redondo, mas na av. Amazonas. Se não acontecer nenhum imprevisto, queremos inaugurá-la em 04 de dezembro/2010. Nossa nova unidade da Karen Modas, além de abrigar a empresa, terá uma mini-galeria com 6 (seis) salas comerciais que serão disponibilizadas para locação, com intuito de contribuirmos também com o fortalecimento do comércio do bairro Cidade Alta.
CDL – Walter, e sua trajetória na área social em Alta Floresta?
W.L.P. – Há 14 anos atrás fui convidado pelo Sidney Oribes, meu companheiro e padrinho de Lions Club, para fazer parte da Família Leonística. A partir daí minha família abraçou essa causa com grande alegria e dedicação, onde estamos até hoje fazendo um trabalho sem interesses pessoais, juntamente com todos os companheiros do Lions Clube de Alta Floresta, de Mato Grosso e do mundo. Eu e minha esposa temos orgulho de estarmos sempre presentes nas ações do Lions desde quando fomos chamados para serviços sociais voluntários. Tem sido muito gratificante e de um aprendizado bastante salutar pra nossas vidas.
CDL – Atuou também na área esportiva com crianças...
W.L.P. – Sim. Juntamente com alguns empresários amigos, podendo citar aqui o Roberto Venturini da Imperial Móveis e Eletrodomésticos, o Oliveira da Pantera, o Jesus Maldonado e o Esmar da Lince Computadores, o Raimundo da Trator Peças (já falecido), o Valdemir Dobri da Credi Fácil Codopel e, claro, nós da Karen Modas, desenvolvemos um projeto esportivo de minha autoria que teve o acompanhamento do Renatinho. Para executar melhor este projeto, criamos a AUE – Associação União Empresarial para ser sua mantenedora. Considero que tivemos sucesso com este projeto e temos certeza que, no decorrer das atividades da AUE, cumprimos com nosso papel social utilizando o esporte como instrumento. Até hoje encontramos com pessoas que, na época, crianças, participaram da escolinha de futebol da AUE e, para nossa satisfação, comentam sobre a importância que o projeto teve em suas formações como cidadãos.
CDL – Na sua visão, quais são os principais problemas que Alta Floresta e região enfrentaram ou precisam enfrentar atualmente?
W.L.P. – Eu não gosto de falar de problemas nem de dificuldades. Prefiro falar de desafios e soluções, ou seja, o que podemos fazer para melhorar. E pra mim, a primeira coisa que temos que fazer para melhorarmos a cada dia é acreditarmos no lugar onde estamos. É dessa forma que nós da Karen Modas procuramos agir, confiando no trabalho, acreditando em Alta Floresta, fazendo a nossa parte e demonstrando credibilidade no potencial de nossa comunidade.
CDL – Vê um futuro promissor para o Município?
W.L.P. – Por tudo que nós passamos nos últimos anos, principalmente nas questões ambientais transmutatórias que nos levaram ao início de todo um novo processo de adequações, eu creio piamente no futuro de Alta Floresta. Acho que vamos crescer muito numa nova ordem econômica e em novas alternativas de desenvolvimento. Somos um polo do chamado Portal da Amazônia. Devido a Bacia Amazônica começar na região de Nobres, muitas cidades do médio norte se intitulam como sendo este portal, mas Alta Floresta é que tem verdadeiramente este credenciamento geográfico. Considerando que o mundo todo fala em preservação, recuperação de áreas degradadas, reflorestamento etc, eu acho que realmente temos que fazer o que o mundo nos pede, mas isso tem um alto custo e não temos dinheiro pra cumprir estas metas. Diante dessa realidade, vejo que teremos apoios estadual, federal e internacional, dos órgãos e entidades ambientais e ONGs, o que, inevitavelmente, trará investimentos para que a região faça o seu dever ambiental de modo economicamente viável, mesmo porque temos que cuidar e queremos zelar do Meio Ambiente. Temos consciência disso e o que precisamos é de condições para que a população assim o faça e viva bem.
CDL – Em meio a tudo isso, como vê a política oficial no Município?
W.L.P. – Confesso que procuro me isentar o máximo da política oficial. Sei que pode parecer omissão, mas evito manifestar opiniões sobre atitudes de nossos políticos. Tenho um pouco de dificuldade neste sentido. O que posso dizer é que não me vejo como político, talvez por ter uma ideia de perfil político diferente de muitos. Enfim, prefiro não tecer comentários sobre isso.
CDL – Uma avaliação sobre a CDL Alta Floresta.
W.L.P. – Tenho acompanhado o trabalho da CDL Alta Floresta nos últimos 10 anos e posso dizer que esta entidade teve uma evolução exemplar, teve várias modificações e profundas mudanças para melhor. Dentro dos objetivos da CDL, ela tem cumprido satisfatoriamente o seu papel. Aliás, tem até ido além de suas funções, pois, de uns tempos pra cá, a CDL Alta Floresta tem se envolvido em muitas questões de relevância para o Município e região. Acho que ela é, atualmente, a entidade com maior representatividade de Alta Floresta. Temos também o CODAM – Conselho de Desenvolvimento da Amazônia Matogrossense que funciona graças à CDL e são muitas as ações que extrapolam o seu campo de atuação. É assim que a vejo hoje: uma entidade fortalecida que tem “café no bule” e “bala na agulha” pra contribuir com o Município e região, atuando e sendo parceira em vários projetos benéficos para a população. Agora, é claro que sempre tem mais por fazer para os seus associados, pois os tempos mudam e a dinâmica do empresariado sofre constantes alterações e não podemos parar. Mas no geral, acho que a CDL Alta Floresta tem melhorado muito e está no caminho certo.
CDL – Mais algumas considerações?
W.L.P. – Olha, o que quero dizer é que estou aqui falando em nome da família Karen Modas. Eu tenho a grata satisfação, em meu nome e da minha esposa, de dizer que a nossa família hoje, juntamente com todos os nossos colaboradores, está imbuída de boas perspectivas e que seja cada vez mais o sucesso que procuramos produzir através de nosso trabalho, pois a Karen Modas é fruto do esforço e da determinação de um casal, eu e a Rosa. Digo isto porque antigamente se dizia que atrás de um grande homem existia uma grande mulher. Isso mudou porque entendemos hoje que “ao lado de um grande homem, existe uma grande mulher”, mesmo porque, Deus, na sua infinita bondade, foi muito bom comigo. Ele colocou na minha vida duas mulheres excepcionas: minha mãe e, depois, a Rosa, minha esposa, pra caminhar comigo lado a lado. Está aí, sem demagogia, a fortaleza da Karen Modas. Temos muito a agradecer a Deus pelos filhos que vieram: a Karen, 20 anos, que trabalha conosco e, sem dúvida, é um dos pilares da Karen Modas; a Ana Paula, 17 anos, que também está trabalhando conosco e tem se esforçado o máximo para que cresçamos juntos e, nosso filho, Walter Henrique, 14 anos, que, em breve, acredito que estará também de empenhando para o bem da Karen Modas. Ressaltamos ainda a importância de nossos colaboradores. Temos funcionários que estão conosco há vários anos, alguns já na casa dos 10 anos. Os resultados positivos que a família Karen Modas tem obtido são frutos da junção de muitas pessoas para as quais fazemos questão de externarmos nossa gratidão, nesta oportunidade.