Ozires Antonio Rodrigues, 46 anos, casado com a senhora Silvia Santos, é natural de Pitanga - PR, empresário chegou em Alta Floresta em maio de 1987, hoje sócio-proprietário de uma das melhores e mais sofisticada mecânica do município.
CDL – A chegada ao município de Alta Floresta.
OZIRES – “Na verdade eu nasci em Nova Tebas que na época era um município de Pitanga – PR, hoje Nova Tebas é emancipada. Em 1980 com 15 anos fui morar e trabalhar em Palmital, uma cidade perto de Pitanga e onde permaneci até 1987, época em que já estava com 22 anos e também já pensava em montar minha própria oficina, porém não queria concorrer com meu ex-patrão, montando a oficina na mesma cidade onde trabalhava, porque daria concorrência e sempre fui muito grato pela oportunidade que ele havia me dado em um momento muito difícil da minha vida.
Na época um amigo meu veio trabalhar no Mato Grosso e estava passando férias em Palmital, onde acabamos nos encontrando. Ele me disse como era a região que havia muitas oportunidades no meu ramo de trabalho, com remuneração melhor que em Palmital. Então decidi conhecer Alta Floresta e vim junto com ele em seu retorno das férias, até porque ele também trabalhava na área automotiva, só que no ramo de funilaria e pintura sendo funcionário do Léo Battirola.
Chegando a Alta Floresta fomos para a Oficina do Léo, onde ele trabalhava, já era final de tarde e o Sr. Léo arrumou um quarto de alojamento no setor industrial onde ficamos. No dia seguinte ele já tinha que voltar ao trabalho, e Eu também precisava encontrar um emprego, decidi primeiramente falar com o Sr. Léo e ver se havia uma vaga para que eu pudesse trabalhar com ele, mas na época ele só trabalhava com mecânica diesel e minha especialidade era veículos movidos a gasolina, por isso não deu certo de trabalhar na empresa dele. Logo descobri que algumas pessoas da minha região também tinham oficina mecânica no município, foi quando encontrei o Magal e o Srº Deco, que hoje é meu sogro. Eles possuíam uma pequena oficina atrás do posto do setor industrial, então acertei de trabalhar com eles, e o Sr. Déco também me arrumou um quartinho na casa dele, onde eu pagaria a pensão.
Tudo estava certo, mas eu ainda estava preocupado, pois Alta Floresta era uma cidade movimentada, a infra-instrutora não era das melhores e havia muita violência devido ao garimpo. Havia ainda o racionamento de energia por ser gerada por motores a diesel que sempre estavam com problemas, além de muita poeira nas ruas, devido a falta de pavimentação asfáltica. Tudo isso me assustava no principio, por isso depositei uma quantia em dinheiro no banco como garantia, caso precisasse voltar a minha cidade já teria o dinheiro da passagem de volta, já que tinha medo de ficar com o dinheiro em mãos e gastar, não tendo como voltar depois. “Porém com o tempo fui me acostumando e me apaixonando pelo município de Alta Floresta, ao qual tenho hoje uma grande admiração”.
CDL – Como o empresário analisa o município hoje?
OZIRES – “Vejo Alta Floresta como um município que se desenvolveu muito, mesmo sendo uma cidade jovem, já sofreu várias turbulências e transformações, passou por vários ciclos econômicos importantes, entre eles o ouro e a madeira, que fizeram com que o nome do município fosse divulgado em âmbito nacional e internacional. Hoje nossa economia está equilibrada e possui grandes perspectivas de melhorias para o futuro”.
CDL – Quais os principais pontos do Município?
OZIRES – “Um ponto positivo que vejo em Alta Floresta é a economia diversificada e isso ajuda muito, pois geram investimentos nas mais diversas áreas. Quando o ciclo da madeira acabou ficamos sem sugestões de saída para o desenvolvimento do município, e aos poucos novas oportunidades foram surgindo e dando o equilíbrio que Alta Floresta precisava para desenvolver cada vez mais”.
CDL – Quais melhorias poderiam ajudar no desenvolvimento do município?
OZIRES – “Alta Floresta é uma cidade jovem e tem muitas coisas para conquistas, acredito que a ligação do asfalto na BR 163 passando por Carlinda e Novo Mundo nos traria grandes benefícios e maiores investimentos.
Na área educacional, a instalação de uma unidade do Instituto Federal de Mato Grosso e o aumento de cursos de nível superior, irá atrair um grande número de estudantes, e iremos nos consolidar como um pólo educacional, conseqüentemente irá fortalecer a economia do município. Em meu ponto de vista seria importante implantar o apoio técnico ao nosso pequeno agricultor, porque não basta plantar, temos que ter conhecimentos técnicos sobre aquilo que estamos fazendo. E na área da saúde precisamos muito mais do que temos, para que nossa população tenha um melhor atendimento. Torna-se inadmissível um ser humano está com problemas de saúde ter que aguardar meses na fila de espera para fazer exames ou cirurgia. Porém esses são problemas que com o tempo vão sendo solucionados, como já disse, Alta Floresta ainda é uma cidade jovem e tem muitos frutos para colher”.
CDL – O que a implantação da usina hidrelétricano Rio Teles Pires pode significar?
OZIRES – “Vejo que a usina trará um grande crescimento na região, com o aumento da população. Mas não podemos esquecer que precisamos nos preparar para absorver junto com o crescimento econômico, o crescimento de problemas sociais que automaticamente virão juntos. Acredito que nossos governantes já estão se precavendo em relação a esse assunto”.
CDL - Como surgiu a empresa?
OZIRES – “Trabalhando na oficina do Sr. Déco e Magal eu tinha a liberdade e conhecer a cidade de Alta Floresta, na oficina encontrei com o Ramiro Duarte Rosa que meu padrinho de batismo, na época ele trabalhava com garimpo. Após 22 dias de trabalho em Alta Floresta eu já tinha faturado mais que três meses de serviço no Paraná isso me empolgou e já comecei a perceber a possibilidade de montar minha própria oficina e como eu tinha deixado no Paraná, um veículo Passat ano 81, resolvi voltar e vender o carro para comprar algumas ferramentas e montar a oficina, porém eu tinha que dar alguma referência no município para locar o barracão, nessa circunstância fui falar com meu padrinho Ramiro, partiu dele então a proposta de ser meu sócio, já que tinha os filhos jovens e queria que eles aprendessem uma profissão.
Retornando ao Paraná vendi o carro e pagamos a metade das ferramentas, o restante pagaria com a possível despescagem do seu garimpo na qual não aconteceu e ele também precisou vender seu carro, um Passat para quitar as dívidas.
Em julho de 1987 estava instalada na Av. Araújo, esquina com Rua H – 9, a Rodcar (ROD - inicial de Rodrigues e CAR - carro). Onde permanecemos até 1990 quando construímos a nossa sede própria na rua F, esquina com F-7.
Em 1993 com a divisão da sociedade, começava uma nova caminhada onde nos deparávamos com a injeção eletrônica em alguns veículos. Em 1995 não tinha mais como fugir, o carburador foi substituído pela injeção eletrônica nos veículos, e o profissional que não se qualificasse com esse novo sistema, estaria com dificuldades para fazer as manutenções, percebendo isso fui à São Paulo por 30 dias fazendo cursos e verificando o melhor equipamento com menor curso para instalar na Rodcar, afim de melhor atender os clientes e também sair na frente com uma manutenção que poucos teriam capacidade de fazer.
Acredito que foi muito importante essa atitude, pois começava um grande diferencial de serviços na empresa e com isso outros serviços eram agregados, em uma cidade onde temos muitas empresas no mesmo ramo, mas a especialidade em alguns produtos acaba se sobressaindo melhor. “A partir de 1995 a Rodcar veio aos poucos se tornando uma referência na manutenção automotiva dentro do estado de Mato Grosso, conforme o crescimento de Alta Floresta nós também fomos crescendo, sempre acompanhando o desenvolvimento da região”.
CDL – O que a empresa significa hoje?
OZIRES – “A empresa significa minha própria vida, é algo que lutei por ela e claro contei com o apoio de muitas pessoas. Se hoje a Rodcar passa por um bom momento é sinal que trabalhamos muito no inicio e continuamos trabalhando, buscando trazer o melhor para o nosso cliente, afim de que ele se sinta satisfeito com os nossos serviços, sem dúvida o resultado desse profissionalismo é que fomos novamente escolhida como o melhor do ano pelo Prêmio Mérito Lojista da CDL”.
CDL – Quais são seus planos para o futuro?
OZIRES – “A todo o momento surgem planos, porém temos que ser cautelosos, meus planos atuais é manter a credibilidade que conquistamos perante aos clientes e fazer novos investimentos para melhoria contínua da empresa e dos colaboradores que aqui trabalham, já que eles são fundamentais para o crescimento da empresa”.
CDL – Como é ser um conceituado empresário no município?
OZIRES – “Eu só tenho a agradecer essa credibilidade que foi conquistada com trabalho, dedicação e honestidade, pois não conquistei fortunas materiais e sim uma fortuna de amigos e clientes, que para mim vale muito mais que qualquer bem material”.
CDL – O que o fez parceiro da CDL de Alta Floresta?
OZIRES – “Em todo setor temos que ter união e com a parceria da CDL consegui se unir junto a outros empresários buscando sempre o melhor para o nosso comércio e para os nossos clientes”.
CDL – Qual a importância da CDL para o comércio local?
OZIRES – “A CDL é um ponto especial de apoio para o comerciante, e passa a ser muito maior quando o comerciante participa das reuniões e das ações realizadas pela entidade, pois é ela que defende nossas necessidades e reivindicações, por isso precisamos estar sempre ligada a ela”.
CDL – Que sugestões você dá para quem quer investir no município?
OZIRES – “Sugiro para os novos investidores a insistência e o pensamento positivo, pois o município tem muito a crescer e isso é inevitável. Muita coisa boa está planejada para o crescimento do município e região, e sem dúvida nos orgulharemos cada vez mais de Alta Floresta, porque somos um povo sonhador e queremos o desenvolvimento e progresso da região, pois aqui moramos e aqui queremos permanecer”.