
Perfil do empreendedor
Empresário do segmento de papelaria e gráfica é o entrevistado do mês
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Alta Floresta apresenta no mês de dezembro uma entrevista com o empresário Francisco Ramos Corrêa, proprietário da Gráfica Cidade e papelarias Florestana e Alternativa. Todos os meses a CDL apresenta o perfil de um empreendedor que fomenta o desenvolvimento de Alta Floresta. É um empresário que cresce com a gente.
Francisco Ramos Corrêa faz aniversário no dia oito de maio. É natural de Conselheiro Mairinck (PR), casado com Luciana Hirota Corrêa e pai de dois filhos: Alexandre e Caetano. Em 1986 o jovem estudante deixou a Cidade de Curitiba (PR) e veio conhecer Alta Floresta.
Por que veio para Alta Floresta?
Alguns amigos vieram para Alta Floresta e contaram que era uma cidade nova, com muitas oportunidades de trabalho e investimentos. Eu decidi conhecer e acabei gostando daqui. Em Alta Floresta as pessoas se envolvem mais, participam mais, vivem num coletivo mais simples. Eu sou de família simples, do sítio, da agricultura e gostei de Alta Floresta por essa razão. Sempre fui encantado com as grandes amizades que a gente faz aqui.
Como era a cidade na época?
Tinha um movimento muito grande. A economia era voltada para extração de ouro e agronegócio.
Como se tornou um empreendedor no município?
Trabalhava no Banco Itaú. A família da minha esposa era proprietária da Papelaria Florestana na Avenida Ludovico da Riva Neto, então decidimos abrir uma papelaria com o mesmo nome na Avenida Ariosto da Riva na década de 90. Tínhamos menos de cinco funcionários. Depois de alguns anos adquirimos a Gráfica Cidade e há dois anos abrimos a Papelaria Alternativa na Cidade Alta. Hoje empregamos mais de 40 funcionários.
O Sr está ampliando e melhorando a estrutura da papelaria e deve instalar nos próximos meses na gráfica uma máquina com impressão quatro cores que no Estado só existe em Cuiabá. Como decidiu que era hora de investir mais?
Os investimentos surgem de acordo com as necessidades da população. Essa máquina, por exemplo, realiza o trabalho com muito mais perfeição. A impressão tem maior qualidade, um trabalho que atualmente levamos quatro horas para fazer, ela faz em 40 minutos. Estamos fazendo tudo com muito cuidado analisando a demanda e nossa capacidade financeira porque a região merece.
Como é ser um conceituado empresário na cidade?
É gratificante. Eu tenho um senso de responsabilidade muito grande. Sempre me dediquei muito ao meu trabalho. Eu tenho até que me policiar porque acabo não tirando férias, não tirando um tempo para lazer e sei que isso é necessário.
Que sugestão o sr tem para quem quer investir em Alta Floresta?
Alta floresta tem muitas oportunidades. Antes de investir em um empreendimento é preciso fazer um estudo de mercado , das necessidades da região.
Como o sr vê a construção das usinas hidrelétricas na região?
Participei de algumas reuniões sobre a usina. O empreendimento vai alagar boa parte do Rio Teles Pires que é conhecido no mundo todo pela sua beleza. É um ponto turístico. E acredito que a população deveria se unir para que a construção seja benéfica para nossa região. Porque não há mais nada a se fazer, é fato que elas serão construídas. Então precisamos garantir que o consórcio faça os investimentos necessários para melhorar a vida das pessoas dessa região. Não podemos deixar que as cidades fiquem com mais problemas depois da construção.
Como o sr avalia o momento econômico de Alta Floresta?
É um momento positivo. Converso com diversos empresários altaflorestenses e eles querem investir mais em Alta floresta. Não estão pensando em retirar de Alta Floresta para investir fora.
Como o sr vê Alta Floresta hoje no geral? Pontos positivos e pontos negativos?
Essa região é positiva. Nós temos alguns problemas de segurança pública, mesmo assim, ainda é uma cidade que você pode deixar seu filho sair nas ruas e ficar tranqüilo, sabendo que ele está seguro. Ainda é uma cidade tranqüila. Por outro lado, falta investimentos e incentivo ao esporte. Uma cidade como Alta Floresta não pode ficar fora de um campeonato estadual de futebol. Deveríamos ter um time jogando pelo menos na terceira divisão do futebol matogrossense. Nesse aspecto Alta Floresta está muito atrasada.
Piores fases que Alta Floresta já viveu ?
A queda do garimpo deixou Alta Floresta muito abalada. Com a entrada do Collor a economia mudou no Brasil, o ouro perdeu o valor, o dinheiro sumiu de Alta Floresta. Depois veio o problema da madeira. Empresários que tinham 100 funcionários voltaram a ter 10. Outras madeireiras fecharam. Isso tudo gerou perdas para Alta Floresta.
Melhor momento de Alta Floresta ?
Acho que nós estamos em um dos melhores momentos com essa valorização do ouro, instalação de frigoríficos, abertura de novas empresas. Alta Floresta está em um momento de economia diversificada e, isso, é muito positivo para a região.
Aponte um desafio para Alta Floresta na sua opinião?
Empresários e setor público deveriam se unir e investir na Cadeia Pública e na recuperação de jovens que cometeram delitos. A gente vê pessoas lá dentro que é fácil direcionar para o caminho certo, só precisam de oportunidade, e os empresários deveriam se envolver mais nessa questão. Saber por que foram para o mundo do crime e oferecer alternativas para mudar essa situação. Sei que não vamos resolver 100% do problema, mais podemos amenizar e ajudar muitas famílias.
Tenho pessoas que trabalham comigo que ninguém acreditava na recuperação, e, hoje, são funcionários exemplares. Nunca tive problemas com eles. Imagine uma pessoa que já cometeu delito e foi presa. Qual é a chance dele? Se nos unirmos, vamos ter sempre uma cidade tranqüila para se viver.
Porque se tornou parceiro da CDL?
O forte da CDL é o comércio, mais a indústria passa por ali, toda a economia de Alta Floresta passa pela CDL. Já participei de outras entidades e só na CDL a gente senta e fala do nosso dia-a-dia, do nosso comércio, da nossa economia , nossa indústria. Analisa nossa economia e vê o que podemos fazer para ajudar o município melhorar nosso comércio.
Qual a importância da CDL para o comércio local?
A CDL e a Associação Comercial e Empresarial (Aceaf) são pontos de referência para nossa ações. Elas reúnem números do comércio a respeito do desenvolvimento de Alta Floresta e região. É bom que todos os empresários prestem atenção nesses números para saber como está a situação do mercado e de sua empresa.
Quais as perspectivas para 2012?
Nossas projeções são boas. Vamos trabalhar muito e investir de acordo com a capacidade financeira de nossa empresa e da região. O resto deixa na mão de Deus, só ele pode dizer como será o amanhã.