Eduardo Aparecido Munhoz
Sócio-Proprietário da Majasi Motos
Assessoria CDL – Há quanto tempo reside em Alta Floresta e como se deu sua vinda?
Eduardo Aparecido Munhoz – Estou há 25 anos em Alta Floresta, ou seja, desde 1985. Morava em Maringá/PR e minha família, eu, minha mãe e meus dois irmãos decidimos vir pra cá a convite de um primo meu que já estava aqui. Viemos sem antes ter conhecido este lugar, a não ser pelo que o primo dizia, mas pra gente Mato Grosso era lugar somente de onças. Considero até que, na época, foi um ato de coragem de nossa parte.
CDL – Em 1985 Alta Floresta tinha apenas 9 anos de fundação e 6 de emancipação político-administrativa. Como era a cidade?
EAM – A cidade não era pavimentada. Aliás,muita poeira, de Sinop até aqui era estrada de terra e aqui não era diferente, mesmo porque a cidade estava em seu início de implantação pela colonizadora Indeco S/A.
CDL – Já vieram sabendo o que iam fazer aqui como trabalho?
EAM – O único que já estava com trabalho previamente combinado antes de chegarmos era eu que ia ser funcionário da Mato Grosso Motosserra – empresa que comercializava produtos para garimpo (hoje já não funciona mais em Alta Floresta), loja que meu primo gerenciava naquela época. Meus irmãos e minha mãe foram trabalhar em garimpos, atividade que ficaram por cerca de dois anos. Depois vieram pra cidade e meus irmãos começaram a trabalhar na construção civil.
CDL – Depois desse tempo morando aqui, o que considera de positivo em Alta Floresta?
EAM – Uma das coisas que considero positivo em Alta Floresta é a tranquilidade que temos aqui. Não estamos isentos de criminalidade, roubos e problemas de segurança pública, mas ainda podemos considerar um bom lugar neste sentido se compararmos com outras localidades. Gosto também muito do clima da região.
CDL – Que tipos de problemas o incomoda em Alta Floresta?
EAM – Os problemas sempre existirão. Acho que as administrações públicas anteriores que passaram, como todos nós também empresários, não têm demonstrado um empenho satisfatório para gerar mais emprego quer seja através de indústria quer seja no setor de serviços. É preciso criar mecanismos de geração de emprego pra evitar que pessoas tenham que buscar a sobrevivência noutras localidades.
CDL – Você acredita no progresso do Município e região?
EAM – Com certeza. Não é à-toa que estou há 25 anos que moro e amo alta floresta e não tenho nenhuma intenção de ir embora.
CDL – Na sua opinião, que setores precisam de atenção com relação a investimentos pra se construir bases econômicas mais sólidas e duradouras?
EAM – Em primeiro lugar estamos acreditando que, agora, com dois deputados, ambos alinhados com o governo do estado, se unam em favor desta região e canalizem recursos importantes tanto para infraestrutura como para todos os setores produtivos. Isso será fundamental para o desenvolvimento de uma economia mais sólida. Já tivemos muitos políticos anteriores que agiram como garimpeiros, ou seja, retirando o que era bom pra seus interesses e deixando o Município em situações difíceis. O tempo de aventureiros já passou. Quem aqui permaneceu até hoje, espera que a classe política seja a principal força pra conquistarmos uma economia sólida e que beneficie a coletividade. Temos vivido num constante processo de instabilidade econômica e o comércio sofre muito com isso. Além disso, o comerciante alta-florestense tem trabalhado sob muita pressão, mesmo sendo um agente importante pra ajudar Alta Floresta a crescer e ser cada vez melhor. Acho que os órgãos públicos deveriam ser mais flexíveis com toda essa classe empresarial que veio de longe, deixou tudo pra trás, e tem boa vontade para contribuir com o desenvolvimento de Alta Floresta. O que sobrecai encima do empresário, do comerciante e de outros setores, muitas vezes está além do que podemos suportar.
CDL – Acredita mais na industrialização ou na agricultura como economia principal para o município?
EAM – Nas duas coisas. É necessário, inclusive, equilibrar esses dois setores e que ambos sejam fortes. Mas pra isso acontecer a união da classe política, do empresariado, dos poderes públicos, dos segmentos organizados e de toda a sociedade é fundamental. As pessoas que realmente gostam de Alta Floresta estão aqui e não há mais tempo a perder com exclusivismo. Mais do que nunca é necessário pensar no coletivo, em todos. É até chato a gente dizer, mas Sinop tem sido um exemplo neste sentido. O pessoal se uniu, a economia se fortaleceu e a cidade entrou em pleno desenvolvimento. Inclusive foi destaque numa recente edição da revista Veja, mostrando todo seu potencial.
CDL – É a favor ou contra a construção de hidrelétricas na região?
EAM – Sou favorável. Acho que vai trazer benefícios pra região, mas são obras que precisam sair do papel e se concretizarem e também não podem agredir o meio ambiente tem que se instalar de forma sutentavel.
CDL – Breve relato sobre a historicidade da Majasi Motos.
EAM – É uma história que consideramos muito interessante. Meu cunhado, há quase 17 anos atrás, comentava comigo e me instigava pra abrirmos uma loja de motos e ele, que tinha moto, dizia que já estava cansado de passar raiva quando levava sua moto pra consertar. De tanto ficar batendo nessa mesma tecla, peguei uma pequena economia que tinhamos e abrimos uma modesta loja na rua A, esquina com A1 (defronte onde existia a loja Chico Máquinas), num pequeno barracão de madeira. Com muita determinação, perseverança e as bênçãos de Deus, deu certo e continua dando certo até hoje. De lá fomos para a av. Ludovico da Riva Neto, para uma loja construída em alvenaria, porém ainda muito pequena. Em seguida, mudamos para o prédio próprio que estamos hoje e, atualmente, estamos construindo outro edifício onde serão as novas instalações da Majasi Motos, próximo ao Del Moro Supermercados.
CDL – Já tem previsão para a inauguração das novas instalações?
EAM – Se tudo correr bem dentro do que planejamos,estaremos inaugurando nossas novas instalações no 1º semestre de 2011.
CDL – A Majasi Motos representa somente a Traxx?
EAM – Sim, e este foi mais um grande desafio que tivemos. Veja bem, a Traxx está no Brasil há 6 anos e nós já completamos 5 anos trabalhando com a Traxx. Uma marca chinesa que ainda não era conhecida e que, somente de 3 anos pra cá, a Traxx tem Fabrica no Brasil, em Manaus. A Traxx é um produto da Jialing que é a maior fabricante de motos do mundo. Pra se ter uma ideia, se juntarmos todas as marcas mais conhecidas como Honda, Yamaha, Sundown e Suzuki, não dá 50% da fabricação da Jialing no mundo. Para cada país no mundo a Jialing é representada por uma marca de motos diferente e no Brasil adotou a marca Traxx.
CDL – Uma curiosidade: de onde surgiu o nome “Majasi”? Significa o quê?
(Obs. - Esta questão foi respondida por Mariney, esposa de Eduardo e sócia-proprietária da Majasi Motos) – Quando o Eduardo e o Hélio (meu irmão), se reuniram pra abrir a loja, precisava ser escolhido um nome para identificá-la. Bem, acho que muitas pessoas que moram em Alta Floresta se lembram de um trágico acidente no ano de 1992 em que perdi dois irmãos e um cunhado. Estavam vindo de Goiânia e em Cuiabá aconteceu essa fatalidade que, infelizmente, os três faleceram. Voltando à escolha do nome para a loja, decidiu-se homenagear essas três pessoas que eram muito queridas por nós, fazendo uma junção das primeiras sílabas de seus nomes. Minha irmã se chamava Marinilza, meu cunhado Jamir e meu irmão Sidney. Muitas pessoas chegam a perguntar se “Majasi” é nome chinês ou japonês, mas, na verdade, foi uma maneira que encontramos de prestar nossa homenagem a eles e muito nos orgulhamos desse nome. Acho que de onde estiverem estão sempre nos ajudando, nos dando força pra continuarmos em frente com nossa luta diária e graças a Deus a gente vem crescendo desde a fundação da Majasi, em 28 de outubro de 1994.
CDL – Alta Floresta, proporcionalmente ao número de habitantes, é considerada uma das cidades de Mato Grosso que tem mais motos circulando. A que atribui isso?
EAM – Além de ser um veículo econômico e de rápida locomoção, a quantidade de concessionárias e a variedade de marcas que são oferecidas aqui também são fatores que facilitam a aquisição de motos em Alta Floresta. É importante considerar o trabalho intenso que os representantes da Honda, da Yamaha e de nós da Traxx têm feito no Município, o que, sem dúvida, influencia no aumento de usuários de motocicletas. No nosso caso, temos orgulho de representarmos uma marca – a Traxx – que está em terceiro lugar em toda a região norte de Mato Grosso como a mais vendida.
CDL – Com todas essas concessionárias de motos em Alta Floresta, sem contar a grande quantidade de outras lojas e oficinas de portes menores, tem tido espaço pra todo mundo nesse ramo de negócio?
EAM – Olha, está ficando difícil. Acho que estamos no limite em se tratando de oferta e procura. O mercado está ficando cada vez mais estagnado e não sei ao certo como será a concorrência daqui pra frente. Já existem mais de 20 oficinas de motos na cidade, além das concessionárias. Agora, o que a gente espera é que ninguém trabalhe irregular como já vem acontecendo em muitos casos, pois isso gera uma competição desigual. Se uma empresa ou loja comercial, mesmo sendo pequena, não cumprir com as obrigações tributárias, pode baratear muito seus produtos e serviços em detrimento daqueles que estão corretamente legalizados. Acho que o poder público tem que se atentar para isso e não deixar que aconteça.
CDL – O que dizer da CDL Alta Floresta?
EAM – É uma grande parceira nossa. De uns anos pra cá a CDL Alta Floresta tem melhorado muito e contribuído bastante com o comércio alta-florestense. Sempre que a gente tem dificuldades, a CDL está aberta pra nos orientar e ajudar na busca de soluções de problemas que nos afetam. Aproveito a oportunidade para elogiar o trabalho da diretoria e de toda a equipe da CDL Alta Floresta, em especial o Eliseu Pelisson pela atenção que dá aos lojistas e dedicação no que faz.
CDL – Considerações finais.
EAM – Reafirmamos, eu e minha esposa Mariney, que acreditamos no potencial de Alta Floresta. Tanto é que estamos fazendo um investimento em torno de meio milhão de reais na edificação de mais outro imóvel da Majasi Motos. Queremos que a cidade cresça de modo que seja bom pra todas as pessoas que aqui moram. Temos gratidão sincera e especial pelos nossos clientes e nossos colaboradores. A equipe da Majasi Motos continuará com seu propósito essencial que é servir bem seus clientes e contribuir para a formação de uma grande rede de amizades em todo o Município.