
Quem vê hoje a grande empresa que é Del Moro Aurora Supermercados, com matriz em Alta Floresta e filiais já implantadas em vários municípios do médio norte e norte mato-grossense, com raras exceções não sabe a extraordinária e exemplar história de trabalho incansável da família que construiu este patrimônio que é um dos grandes orgulhos de nosso município. Conversamos com o Sr. Dernei Olindo Del Moro, popularmente conhecido como Nei do Aurora que, gentilmente, nos contou um pouco dessa trajetória e o que atualmente pensa sobre as perspectivas de Mato Grosso, especialmente para Alta Floresta e região.
Assessoria CDL – Como era Alta Floresta quando surgiu a Casa Aurora, hoje Del Moro Supermercados?
Nei – Alta Floresta, na época, estava começando. Eu estive em Alta Floresta em outubro de 1977 já para adquirir terreno com a Indeco e, em março de 1978, viemos em definitivo. Enfrentamos uma das maiores enchentes que a região já teve até hoje, demoramos nove dias de caminhão de Cuiabá pra cá e quando chegamos na balsa do Teles Pires – balsa do Telão (não existia ponte) não dava pra passar. Lá esperamos mais dois dias até que foi possível, através de um pranchão colocado pra subir na balsa, atravessar pro lado de cá. Chegando em Alta Floresta, a casa que meu finado pai tinha vindo fazer pra gente ficar e iniciarmos a construção do prédio comercial, estava sem porta, sem janelas, sem banheiro, tinha um poço, mas não existia nem aquilo que chamavam de maçarico pra puxar a água. Então eu, meu irmão Antônio, João Bertieri e mais dois construtores tirávamos água no balde e tomávamos banho num carrinho de mão, que se chama carriola. A cidade estava praticamente isolada já a uns quinze dias. A gente saía pra fazer compra pra melhorar a nossa cozinha, mas quase nada se encontrava. Não tinha carne, não tinha batata, não tinha cebola... Foi assim o nosso início em Alta Floresta.
Assessoria CDL – Mas continuaram com o propósito de construir uma casa comercial, ou seja, a Casa Aurora?
Nei – Na verdade, viemos pra cá com esta determinação, mas não era pra se chamar Casa Aurora. Giocondo, meu irmão, era sócio do José Antônio Sangaletti, que é o dono da marca Aurora, no Paraná. Aqui a família formaria uma nova sociedade. Mas depois de tudo construído e pronto já pra abrirmos o comércio ao público, o Sangaletti propôs ao meu irmão de estar junto no negócio, trazer mercadorias do estoque que ele tinha, e que o Giocondo colocasse os irmãos pra trabalhar juntos, todos participando dos negócios e, como continuou a sociedade com o Sangaletti, a marca Aurora também continuou aqui. Desta forma, ficamos até o final de 1983, quando desfizemos essa sociedade. O Giocondo acertou a sociedade que tinha no Paraná com o Sangaletti e veio ficar somente com os irmãos, aqui em Alta Floresta.
Assessoria CDL – Atualmente, Del Moro se tornou uma rede de Supermercados em Mato Grosso. Em quantas cidades já está?
Nei – Estamos em Alta Floresta, Apiacás, Peixoto de Azevedo, Sorriso, Lucas do Rio Verde e a nossa filial caçulinha que foi inaugurada em 06 de novembro de 2009, em Nova Mutum que, por sinal, está sendo um sucesso, mesmo porque as coisas vão se modernizando, principalmente no ramo de supermercados. Como é a mais nova, conta com muitas novidades tecnológicas e inovações no atendimento ao público, ou seja, nasceu bem mais atualizada e com sistemas de ponta que fazem as práticas mercadológicas evoluírem com rapidez no mundo inteiro. É uma loja melhor estruturada por ser a mais recente, mas todas as outras unidades são igualmente importantes pra nós e procuramos melhorá-las cada vez mais.
Assessoria CDL – Já existem previsões para implantação de mais filiais do Del Moro Supermercados em Mato Grosso?
Nei – Primeiramente, nossa próxima proposição de ampliação estrutural é para Alta Floresta. Queremos melhorar o espaço que aqui temos para atender as necessidades de nossos clientes e, consequentemente, de Alta Floresta. O atual prédio foi construído em várias etapas e acabou ficando com alguns desníveis, de modo que já não o consideramos ideal, ou seja, não está da maneira que nossos clientes são merecedores. Após alguns estudos, chegamos à conclusão que devemos fazer uma loja nova. O projeto já está sendo feito para um novo prédio aos fundos de onde hoje é o estacionamento, com uma área de venda com cerca de 3.000m² e depósito anexado, totalizando 5.000m² de área construída coberta.
Assessoria CDL – O que mais o faz acreditar no desenvolvimento de Mato Grosso, em especial do médio norte e norte do estado?
Nei – Eu sempre acreditei em Mato Grosso. Quando recebi o convite do Giocondo, meu irmão, pra vir para Mato Grosso e ele me disse que se eu viesse ele também viria – era mais ou menos uma condicional neste sentido, eu com meus 22 para 23 anos de idade, vim conhecer o estado e percebi que era um lugar que estava desenvolvendo muito, vindo pra cá muita gente da região sul devido as desapropriações provocadas pela Itaipú. Na época se falava muito em culturas perenes como café, guaraná e cacau. Depois veio o ouro, em seguida a madeira passou a ser base econômica para a região e hoje estamos no ciclo da pecuária. Eu acredito que Alta Floresta e Mato Grosso ainda tem muita coisa boa pra revelar pra gente.
Assessoria CDL – Alta Floresta está no rumo certo?
Nei – Acho que sim, mas tenho minhas ponderações. Por exemplo: não sei bem ao certo o porquê de Alta Floresta ainda não ter uma base econômica predominante e mais duradoura. Particularmente, acredito muito na pequena propriedade, no que cada família pode produzir, principalmente se considerarmos que é uma região com peculiaridades diferentes de outras regiões do estado e do país.
Assessoria CDL – Se fosse administrador do Município, o que seria prioridade no campo da economia regional?
Nei – O administrador público tem uma responsabilidade muito grande e a sociedade também. Tanto um como outro tem que conhecer muito bem as potencialidades da região e às vezes não é somente isso que resolve. Não basta conhecer a vocação e as possibilidades econômicas da região, pois é necessário que também haja investimentos, e investimentos depende de retorno. Muitas vezes não se consegue trazer indústrias ou outros tipos de empresas para, inclusive, a própria geração de empregos, por inviabilidade econômica. Se fosse administrador, considerando essa nossa realidade, me apegaria mais na pequena propriedade e na junção de todos os seus produtos. Tenho um respeito enorme pelo gado leiteiro e pela produção em pequena escala das famílias de pequenas propriedades. Por isso, eu acho que a verba da Secretaria de Agricultura, seus projetos para os pequenos e médios produtores e uma assistência técnica adequada com agrônomos especialistas para o incremento da produtividade que é possível em nosso Município, seria ampliada, pois, como administrador, seria uma das minhas convicções para o bom desempenho da nossa economia. Hoje importamos muitos produtos agrícolas de outras regiões e que, pelo menos em grande parte, poderiam ser produzidos e organizada a comercialização em Alta Floresta e região. Acho que, olhando o cenário político estando fora dele, simplesmente como comerciante, apostaria nisso.
Assessoria CDL – A CDL Alta Floresta cumpre o seu papel?
Nei – A CDL Alta Floresta não somente cumpre bem a sua função como é muito importante para o comércio local e para o Município. Embora sejamos afiliados à ASMAT – Associação Mato-grossense de Supermercados, entidade que atende as nossas necessidades no aspecto classista, a CDL Alta Floresta tem sido uma grande parceira do Del Moro Supermercado. É uma entidade séria, com diretores dedicados e que vai além de ser somente uma instituição para consultas de créditos, pois desempenha outras atividades de fundamental importância para os comerciantes e para toda a região.