
Como tudo começou
Natal é uma palavra originária do latim, natale, da declinação natal, natalis, relacionada ao nascimento, uma vez que NATAL era o deus romano que presidia o nascimento das pessoas e as acompanhava no decorrer da vida. No Ocidente, Natal tornou-se a grande festa em comemoração ao nascimento de Jesus, que, segundo alguns historiadores, aconteceu na verdade por volta do ano 5 a.C do calendário gregoriano, o que adotamos. Relata-se que no ano de 525, um monge por nome de Dionísio, o Pequeno, comentou equívocos em seus cálculos e anunciou que Jesus Cristo nascera no ano 1. Estudos e revisões posteriores, em comparação com os evangelhos, indicam que quando Jesus nasceu, Herodes, o Grande, já havia morrido, e fora deposto no mês de abril do ano 750 da fundação de Roma, fatos ocorridos no ano 4 a.C. Existem fontes históricas, relatam que o recenseamento feito pelos romanos, citado pelo evangelistas, que forçou a ida de José e Maria de Nazaré para Belém, onde deviam participar do censo, se deu em 8 a.C. A distância entre as duas cidades era de cerca de 150 quilômetros e a média de caminhada para cumprir esse percurso variava de quatro a cinco dias, se tudo corresse normalmente.
Curiosa é a mudança de datas para se comemorar o natal até se firmar definitivamente em 25 de dezembro, pois o Natal, conta-nos a história, já foi comemorado em 20 de março, 28 de maio e 20 de maio. Porém, para os historiadores, não se sabe o dia exato em que Jesus nasceu. Data de 25 de dezembro foi fixada no século IV, quando o cristianismo foi declarado como religião oficial do Império Romano, juntando-se a outra grandiosa festa instituída pelo imperador Aureliano, destinada a prestar homenagem ao nascimento do ‘sol invicto’, a celebração do solstício de inverno. Antes disso, os líderes e pensadores cristãos tinham apresentado a data de 28 de março para ser a data de comemoração de Jesus Cristo.
A Substituição
Os cristãos substituíram a antiga festa romana do solstício de inverno pela do Natal, de arraigada tradição familiar e associada à festa do Ano Novo.
Festa cristã celebrada no dia 25 de dezembro, em comemoração ao nascimento de Jesus Cristo, o Natal é comemorado secularmente em todo o mundo cristão. A piedade popular, movida pela ternura dos motivos da infância, enfatizou essa festividade. Uma de suas manifestações mais típicas são as canções ao Menino Jesus, acompanhadas por instrumentos tradicionais.
No ano 245, o teólogo Orígenes repudiava a idéia de se festejar o nascimento de Cristo “como se fosse ele um faraó”. De acordo com um almanaque romano, a festa já era celebrada em Roma no ano de 336. Na parte Oriental do Império Romano, comemorava-se em 6 de janeiro tanto o nascimento de Cristo quanto seu batismo. No século IV as igrejas orientais passaram a adotar o dia 25 de dezembro para o Natal, e o dia 6 de janeiro para a Epifania (“manifestação”). No Ocidente, comemora-se nesse dia a visita dos Reis Magos.
A festa do Natal foi instituída oficialmente pelo bispo romano Libério no ano 354. Na verdade, a data de 25 de dezembro não se deve a um estrito aniversário cronológico, mas sim à substituição, com motivos cristãos das antigas festas pagãs. As alusões dos padres da igreja ao simbolismo de Cristo como sol de justiça (Malaquias 4:2) e luz do mundo (João 8:12), e as primeiras celebrações da festa na colina vaticana – onde os pagãos tributavam homenagem às divindades do Oriente – expressam o sincretismo da festividade, de acordo com as medidas de assimilação religiosa adotadas por Constantino.
A razão provável da adoção do dia 25 de dezembro é que os primeiros cristãos desejaram que a data coincidisse com a festa pagã dos romanos dedicada “ao nascimento do sol inconquistado”, que comemorava o solstício de inverno. No mundo romano, a Saturnália, comemorada em 17 de dezembro, era um período de alegria e troca de presentes. O dia 25 de dezembro era tido também como o do nascimento do misterioso deus iraniano Mitra, o Sol da Virtude. No Ano Novo romano, comemorado em 1° de janeiro, havia o hábito de enfeitar as casas com folhagens e dar presente às crianças e aos pobres. Acrescentaram-se a esses costumes os ritos natalinos germânicos e célticos, quando as tribos teutônicas penetraram na Gália, na Grã Bretanha e na Europa central. A acha de lenha, o bolo de Natal, as folhagens, o pinheiro, os presentes e as saudações comemoram diferentes aspectos dessa festividade. Os fogos e luzes são símbolos de ternura e vida longa.
O costume dos pinheiros natalinos, a árvore de Natal, difundiu-se durante o século XIX. Mas desde o século XIII, são Francisco de Assis já iniciara o costume, seguido nos países latinos, de representar o nascimento com figuras em torno do presépio de Belém. Outras tradições natalinas são o Papai Noel; as procissões, que representam a adoração dos Reis Magos; e a ceia de Natal. No Brasil, o Natal é a celebração cristã mais profundamente enraizada no sentimento nacional, com rico material religioso, poético e folclórico.
(Barsa – tomo 10 – Página 262 – Natal (Religião)
Nascimento de Jesus Cristo (Bíblia) Lucas 2, 1 a 20
E aconteceu naqueles dias que saiu um edito emanado de César Augusto para que fosse alistado todo o mundo. Este primeiro recenseamento foi feito por Cirino, governador da Síria. E iam todos a alistar-se cada um à sua cidade. E subiu também José da Galiléia, da cidade de Nazaré à Judéia, à cidade de Davi, que se chamava Belém: porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa Maria, que estava pejada. E estando ali aconteceu completarem-se os dias em que havia de dar à luz. E deu à luz a seu filho primogênito, e o enfaixou e o reclinou em uma manjedoura: porque não havia lugar para eles na estalagem.
Ora, naquela mesma comarca havia uns pastores que vigiavam e revezavam entre si as vigílias da noite para guardarem o seu rebanho. E eis que se apresentou junto deles um anjo do Senhor, e com uma luz divina os cercou de refulgente luz, e tiveram grande temor. Porém o anjo lhes disse: Não temais: porque eis que aqui vos venho anunciar um grande gozo, que o será para todo o povo! E é que hoje vos nasceu na cidade de Davi o Salvador, que é Cristo Senhor. E este é o sinal que vo-lo fará conhecer: Achareis um menino envolto em panos, e posto em uma manjedoura. E subitamente apareceu com o anjo uma multidão numerosa da milícia celestial, que louvavam a Deus, e diziam: Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens de boa vontade.
E aconteceu que depois que os anjos se retiraram deles para o céu: falavam entre si os pastores, dizendo: passemos até Belém, e vejamos que é isto que sucedeu, que é o que o Senhor nos mostrou. E foram com grande pressa: e acharam a Maria, e a José, e ao menino posto em uma manjedoura. E vendo isto conheceram a verdade do que se lhes havia dito acerca deste menino. E todos os que ouviram se admiravam: e também o que lhes havia referido os pastores. Entretanto Maria conservava todas estas coisas, conferindo lá no fundo do seu coração umas com outras. E os pastores voltaram glorificando, e louvando a Deus, por tudo o que tinham ouvido e visto, que era conforme ao que se lhes tinha dito.
E o Papai Noel existe?
Sim. Ele foi inspirado no bispo Nicolau, que viveu e pontificou na cidade de Myra, Turquia, no século IV. Nicolau costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras. Colocava o saco com moedas de ouro a ser ofertado na chaminé das casas. Foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. Sua transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e daí correu o mundo. Nos Estados Unidos, a tradição do velhinho de barba comprida e roupas vermelhas que anda num trenó puxado a rena ganhou força. A figura do Papai Noel que conhecemos hoje foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista Harper’s Weeklys, em 1881.
Este é o endereço do Papai Noel:
SANTA CLAUS
ARTIC CIRCLE, SF 96930
ROVANIEMI - FINLÂNDIA
Rovaniemi é a capital da região da Lapônia. Fica no Círculo Polar Ártico. Segundo a lenda, Papai Noel está com mais de quinhentos anos e tem carteira de habilitação para dirigir trenós.
(Guia dos Curiosos – Marcelo Duarte – 1995 - pág. 384)
Árvore de Natal
Entre as várias versões sobre a procedência da árvore de Natal, a maioria delas indicando a Alemanha como país de origem, a mais aceita atribui a novidade ao padre Martinho Lutero (1483-1546), autor da Reforma protestante do século XVI. Ele montou um pinheiro enfeitado com velas em sua casa. Queria, assim, mostrar às crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo.
Na Roma antiga, os romanos penduravam máscaras de Baco em pinheiros para comemorar uma festa chamada de “Saturnália”, que coincidia com o nosso Natal.
(Guia dos Curiosos – Marcelo Duarte – 1995 - pág. 385)
Missa do Galo
São Francisco de Assis foi o criador da missa do galo, ato religioso do Dia de Natal. Segundo a história, são Francisco construiu o primeiro presépio para lembrar os fiéis do ambiente em que Jesus vivia. Foi na cidade de Greccio, na Itália, em 1224. Ele exibia o presépio à meia-noite, exatamente na hora simbólica do nascimento. O ato era seguido de uma missa. Como os galos cantavam habitualmente às primeiras horas da madrugada e isso acontecia durante a solenidade, o povo deu a essa celebração o nome de “missa do galo”.
(Guia dos Curiosos – Marcelo Duarte – 1995 - pág. 385)
O Presépio
A tradição atribui a criação do presépio a uma reconstituição do nascimento de Jesus feita em 1233 por são Francisco de Assis, em Greccio, mas essa representação já era conhecida desde o século IV. Em sua origem, o termo hebraico, que a Vulgata traduz como praesepium, designava a manjedoura dos animais ou o próprio estábulo.
Presépio é um grupo escultórico que representa o nascimento e adoração do menino Jesus na manjedoura de Belém, em conformidade com o relato dos Evangelhos e fontes apócrifas. Nossa Senhora, São José, anjos, pastores e animais à volta do recém-nascido Jesus Cristo são as principais figuras do conjunto, no qual aparecem também os reis magos, às vezes com seus séquitos, camelos e outros animais.
A cena da natividade era erguida pelas freiras do Salvador a partir de 1391, em Lisboa. Aproximadamente no século XVI passou a ser dramatizada com danças e cantos populares. Por essa época somaram-se aos principais personagens do evento figuras extraídas da vida camponesa e aldeã, mostradas em tarefas cotidianas ou levando oferendas ao menino. Alguns desses presépios constituem documentos dos trajes e costumes da época.
No Brasil, provavelmente o presépio foi introduzido no início do século XVII, em Olinda PE, pelo frei franciscano Gaspar de Santo Agostinho. Atualmente, os presépios são armados em dezembro em igrejas, casas e lojas, e desmontados no mês seguinte.
(Barsa – tomo 12 – pág. 29)